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As Brumas do Mal: conclusão de uma etapa na jornada

11 de set.
3 min de leitura


"E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo." (João 16.8)

Brumas do Mal
Brumas do Mal

Terminei.

Seis meses escrevendo. Às vezes de modo febril, capítulos inteiros em poucos dias. Outras vezes como uma tartaruga, mal avançando um parágrafo por semana. Mas terminei.

O livro está pronto.

Não sei bem como descrever essa sensação. Alívio, sim.

Mas também um vazio. Desses que a gente sente quando larga, depois de muito tempo, algo que carregava todos os dias.

Olho para a capa agora. Um portal de pedra, na Bolívia, com uma luz que se abre do outro lado. Diante dele, figuras conduzindo uma cerimônia antiga.

O protagonista do livro não está entre elas. Ele está ali perto, observando de longe, sem se aproximar o suficiente para participar. Acho que é uma imagem que resume bem o espírito do livro — alguém à beira do mal, sem pertencer a ele.

Mas não foi essa a cena que mais me marcou escrever. Teve outras — mais difíceis, mais pessoais — que só quem ler vai reconhecer.

A ideia deste livro não nasceu comigo sozinho. Foi a Marta Moura quem primeiro me apresentou essa ideia. Depois vieram as conversas com meu filho Aslam e com a Carla, minha nora, que foram me ajudando a lapidar o que eu queria dizer.

Mas o que sustenta o livro vem de mais longe.

Desde os meus 20 anos, evangelizando em meio a tanta gente de crenças diferentes. Aos 26, já lecionando teologia e seitas. Ao longo dos anos, fui juntando uma biblioteca teológica que hoje passa de 2.000 volumes — não por acúmulo, mas porque cada seção nova era mais uma ferramenta pra entender o que eu estava enfrentando. E meus argumentos pastorais foram construídos em cima do que aprendi com meus pastores, em especial dois: Michael Gardiner e David Doonan.

Hoje estou quase com 60 anos. Acho que juntei algum conhecimento pelo caminho — mas nada disso foi por mim mesmo. Sei exatamente como cheguei até aqui: pela Graça manifesta do meu SENHOR JESUS.

"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim." (Gálatas 2.20)

Foi o SENHOR quem conduziu cada passo disso.

E a Bolívia? A Bolívia é minha llajta. Minha terra — não só porque sou filho de bolivianos, mas porque, entre 2006 e 2018, servi lá dois meses por ano como missionário voluntário. Andei por povoados, cidades, planaltos secos, montanhas nevadas, florestas tropicais.

Meu trabalho lá nunca foi só evangelizar. Era compartilhar com os cristãos bolivianos o que eu tinha aprendido sobre defender a fé que uma vez foi dada aos santos. Fiz isso em grandes igrejas, em seminários, em casas, em pequenos templos — e também no campo, sentado numa pedra.

As viagens do protagonista são as minhas viagens. As experiências que ele vive — inclusive na Calle de los Hechiceros, inclusive no povoado de Curva, na província de Charazani — nasceram do que eu vivi.

Potosí é a cidade onde a história também passa — a cidade que eu amo, e onde pretendo envelhecer.

Por que escrevi este livro?

Porque quis fazer algo apologético sem ser acadêmico. Quis que o leitor se interessasse pelo tema, não que se sentisse numa sala de aula.

E quis deixar claro algo que aprendi cedo demais para esquecer: por melhores que sejam nossos argumentos, quem convence do pecado, da justiça e do juízo não somos nós.

É o Espírito Santo.

Foi isso que tentei colocar nas últimas páginas do livro. Não sei se consegui à altura do que sinto, mas tentei.

Agora o livro está nas mãos da revisora, do diagramador, da gráfica. Logo, logo, sai do meu computador para o mundo.

Em breve conto como vocês poderão ser os primeiros a ter o livro em mãos.


Um fraterno amplexo,

pastor batista conservador independente

Editor Responsável da Sublime Letra

 
 
 

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