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Honra e vergonha

14 de out.
2 min de leitura

Em um trecho das Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis escreveu que descender de Adão e Eva é honra suficiente para fazer o mais pobre dos mendigos erguer a cabeça, e vergonha suficiente para fazer o maior imperador da terra curvar os ombros.


Tal afirmação, escrita por Lewis como uma fala de Aslam ao príncipe Caspian, é ótima e correta; nela nos é ensinado que temos, todos os seres humanos, uma origem comum.


Por isso, quando leio ou ouço pessoas exaltando sua ascendência étnica (uma coisa que não escolheram) como motivo para orgulhar-se, só posso pensar que isso é um tipo de arrogância e uma expressão de preconceito étnico.


Aqui uso o termo “orgulho” como um sentimento ou ideia de superioridade ante os demais por algo que tenho, adquiri ou sou. O sentimento de gratidão pela própria origem é legítimo, mas a palavra “orgulho” carrega a ideia de superioridade. Portanto, como cristãos, devemos preferir “alegria” ou “satisfação”.


Sou descendente de nativos andinos e de europeus. Me alegro com isso e valorizo essa minha ancestralidade andina (pouco sei de meus antepassados europeus), mas também sou consciente de que isso não me torna melhor ou pior que outras pessoas, apenas sou de um grupo dentre os milhares de grupos que existem e existiram no planeta. Saber-se de um grupo e identificar-se com ele não é necessariamente uma ação de separação. O problema surge quando passo a considerar que, por ser de um grupo específico, isso me torna melhor que os de outros grupos.


Quando leio pessoas escrevendo que têm orgulho de serem deste ou daquele grupo, o que posso perceber é que esse termo e essa ideia fortalecem o conceito de separatismo e de arrogância. A divisão da humanidade em etnias (que alguns chamam de “raças”) é parte de um comportamento preconceituoso no que tange às etnias, e isso gera litígios entre pessoas de povos diferentes.


Esses comportamentos ou modos de pensar não são compatíveis com o ensino bíblico.


Na Palavra de DEUS lemos que:


E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; (Atos 17.26 - ACF)

Isso nos mostra que não há efetiva diferença entre as etnias a ponto de que nos julguemos superiores ou consideremos os demais inferiores. Somos apenas diferentes em alguns detalhes que não nos qualificam como pior ou melhor.


Além disso, nunca devemos olhar para nosso semelhante ou tratá-lo como se fôssemos seus superiores; Paulo nos ensina o contrário.


Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. (Filipenses 2.3 - ACF)

O ensino bíblico, como vimos no versículo acima, é que haja humildade em nossa forma de ser. Ame suas raízes, mas saiba que elas não o qualificam, apenas podem apontar alguns traços em você ou no seu modo de ver as coisas.


Pensem nisso


Victor Hugo Ramallo


pastor batista conservador independente

 
 
 

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