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O que Romanos 13.1 diz (e o que não diz)

6 de out.
3 min de leitura

# Quem manda?

Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. (Romanos 13.1)

Vou entrar num assunto espinhoso, e é provável que alguns discordem de mim. Aceito isso de bom grado. Mas sirvo ao SENHOR como pastor e entendo que devo apresentar um ponto de vista.

O versículo acima é citado com frequência, e quase sempre de um de dois modos errados. Uns o usam para exigir obediência cega a qualquer governante. Outros o usam para dizer que determinado político é "o ungido de DEUS", o "Ciro moderno" que trará o governo do SENHOR à nação. Penso que ambos erram, e pelo mesmo motivo.



O que Paulo afirma

Paulo afirma que a estrutura de autoridade, a existência de governo, ordem e justiça entre os homens, foi estabelecida por DEUS. Ele não afirma que cada pessoa que ocupa o cargo recebeu de DEUS uma bênção pessoal e intocável.

A palavra que Paulo usa (exousia) fala de poder delegado, de função. É como dizer "o governo decidiu": falamos da instituição, e não de um indivíduo específico. Quando ele passa a falar do magistrado, usa o singular como nós usamos ao dizer "o juiz decide" ou "o policial prende": descreve o papel, não uma pessoa.

Isso é compreender o texto, e não acrescentar a ele a minha tinta. Se eu fizesse o contrário, tomando "autoridade" como "este homem, porque está na cadeira", estaria pondo no texto algo que ele não diz.



O Estado é bom?

Sim. Não é errado haver governo, e Paulo diz que o governante é "ministro de DEUS para o bem" (v. 4). Devemos respeito, pagamento de tributos e oração pelos que governam.



Então devo obedecer a qualquer governante em qualquer coisa?

Não.

O mesmo versículo que fala de "ministro de DEUS para o bem" mostra que a função tem finalidade: recompensar o que é correto e conter o mal. Quem inverte isso não deixa de ocupar o cargo, mas deixa de agir como aquilo que DEUS instituiu.

E a Palavra mostra o limite. Os apóstolos, proibidos de pregar, responderam: "mais importa obedecer a DEUS do que aos homens" (Atos 5.29). Daniel e seus amigos recusaram a idolatria sem pegar em armas, aceitando as consequências (Daniel 3 e 6). As parteiras hebreias não executaram a ordem de matar os bebês (Êxodo 1).

Repare no padrão: é sempre desobediência civil, firme e sem violência, nunca insurreição. A obediência plena e irrestrita pertence somente ao SENHOR.



Um governante pode ser "ungido de DEUS"?

Aqui sou direto: tratar um político como "ungido" é um erro grave, que beira a blasfêmia.

A Bíblia chama Ciro de "ungido" (Isaías 45.1), é verdade. Mas o próprio texto diz que Ciro não conhecia a DEUS (Is 45.4-5). Foi instrumento da providência, sem pacto e sem consciência, como a Assíria foi "vara da ira" do SENHOR (Is 10.5). E foi DEUS quem o declarou assim, por profecia. Nenhum pregador tem autoridade para decretar isso sobre o candidato que lhe agrada. Além disso, Ciro permitiu a reconstrução do templo, mas não era o governo de DEUS. Quem reinava continuava sendo o SENHOR.

O título de Rei dos reis pertence a Cristo (Apocalipse 19.16). Atribuí-lo a um político é tomar de Cristo o que é só dEle.



Uma confissão

Antes de conhecer a Cristo, fui trotskista. Esperava que a estrutura certa, nas mãos certas, resolvesse o problema humano. Fui, como se diz, um jovem tolo. Depois aprendi que o problema não está na estrutura, mas no coração, e que nenhuma estrutura, nem a mais bem-intencionada, redime ninguém.

Por isso desconfio do mesmo erro quando ele aparece com outra camisa. Muda a cor, mas o mecanismo é o mesmo: esperar de um líder ou de um projeto de poder o que só Cristo faz.



Em resumo

  • A estrutura de autoridade vem de DEUS; isso não torna sagrado quem a ocupa.

  • A autoridade existe "para o bem", e tem limite.

  • Onde a Palavra for clara, obedecemos a DEUS antes de tudo. Onde houver dúvida, devemos dizer que há dúvida, em vez de transformar convicção pessoal em lei.

  • Nenhum candidato é "o governo de DEUS". Esse governo já tem Rei.



Não pretendo que este texto encerre o assunto. Desejo apenas que ajude a refletir. Aceito que discordem, mas não aceito ofensas.



Um fraterno amplexo

Victor Hugo Ramallo

Pastor batista conservador independente

IB Missão VidaTaboão da Serra – SP

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